A regularização do empregado doméstico é mais do que uma obrigação legal; é um ato de conformidade que protege tanto o empregador quanto o trabalhador.
Desde a promulgação da Lei Complementar nº 150/2015, conhecida como a PEC das Domésticas, os direitos da empregada foram equiparados aos dos demais trabalhadores urbanos e rurais, tornando a formalização uma etapa crucial para qualquer empregador doméstico [1].
Muitos empregadores, no entanto, sentem-se perdidos diante da burocracia do eSocial e dos riscos de cometer erros que podem gerar multas e passivos trabalhistas. Este guia completo foi elaborado para desmistificar o processo, oferecendo um eSocial doméstico passo a passo claro e focado em garantir a sua tranquilidade legal.
Acesso rápido
- Quem Precisa Regularizar a Empregada Doméstica?
- Por que a regularização do empregado doméstico é urgente?
- O eSocial Doméstico Passo a Passo: Guia de Regularização
- Custos e Tributos da Regularização
- Responsabilidades do Empregador Doméstico na Gestão Mensal
- A Tranquilidade da Conformidade
- Perguntas Frequentes (FAQ)
- Referências
Quem Precisa Regularizar a Empregada Doméstica?
A legislação é clara: a regularização do empregado doméstico é obrigatória sempre que o trabalhador prestar serviços de natureza contínua, subordinada, onerosa e pessoal, por mais de dois dias na semana, no âmbito residencial [1].
A relação de emprego doméstico é caracterizada por:
- Continuidade: O trabalho não é esporádico, mas sim regular (mais de duas vezes por semana).
- Subordinação: O empregado segue as ordens e a rotina do empregador.
- Onerosidade: Há pagamento de salário.
- Pessoalidade: O serviço é prestado por aquela pessoa específica, não podendo ser substituída.
A formalização garante ao trabalhador direitos essenciais, como férias remuneradas, 13º salário, FGTS, seguro-desemprego e aposentadoria, e protege o empregador de ações judiciais e multas por informalidade.
Por que a regularização do empregado doméstico é urgente?
A regularização do empregado doméstico não é opcional caso o trabalho ocorra mais de duas vezes por semana na mesma residência. [1]
Principais riscos da informalidade:
- Multas administrativas: Podem ultrapassar R$ 3.000,00 por funcionário não registrado.
- Ações Trabalhistas: Pedidos de horas extras, FGTS não recolhido e férias proporcionais.
- Acidentes de Trabalho: Sem o registro, o empregador assume todos os custos médicos e previdenciários.
O eSocial Doméstico Passo a Passo: Guia de Regularização
O registro e a gestão da regularização do empregado doméstico são feitos exclusivamente pelo eSocial Doméstico, o sistema do Governo Federal que unifica as obrigações fiscais, previdenciárias e trabalhistas [2].
Documentos para o Registro da Doméstica
Antes de iniciar o processo no sistema, organize a documentação do empregador e do empregado:
| Documento | Empregador (Pessoa Física) | Empregado Doméstico |
| Identificação | CPF e Título de Eleitor | CPF, RG ou outro documento de identificação |
| Cadastro | Dados de contato e endereço | Número do PIS/NIS (se tiver) e CTPS (Carteira de Trabalho e Previdência Social) |
| Residência | Comprovante de residência | Comprovante de residência |
| Outros | Dados bancários para débito (opcional) | Certidão de Nascimento/Casamento, Título de Eleitor, Certificado de Reservista (se aplicável) |
Atenção: O CPF é o dado mais importante. Qualquer divergência cadastral (nome, data de nascimento) entre o CPF e o PIS/NIS deve ser resolvida antes do registro, utilizando a ferramenta de Consulta Qualificação Cadastral do eSocial [2].
Etapas de Cadastro no eSocial
O processo de registro de um novo empregado doméstico deve ser feito até um dia antes do início das atividades [2].
- Passo 1: Acesso ao eSocial
Acesse o portal do eSocial Doméstico (https://www.gov.br/esocial) e faça login utilizando sua conta Gov.br (nível Prata ou Ouro).
- Passo 2: Cadastro do Empregador
Se for seu primeiro acesso, confirme ou preencha seus dados como empregador (CPF, endereço, etc.).
- Passo 3: Admissão do Trabalhador
No menu “Empregados”, selecione “Admitir/Cadastrar”. Você precisará informar:
1. Dados Cadastrais: CPF, data de nascimento, nome completo.
2. Dados Contratuais: Data de admissão, tipo de contrato (prazo indeterminado é o mais comum), cargo (empregado doméstico), salário e periodicidade de pagamento.
3. Jornada de Trabalho: Defina a jornada (ex: 44 horas semanais) e os horários de trabalho, incluindo o intervalo de descanso. - Passo 4: Elaboração do Contrato de Trabalho
Embora o eSocial registre os dados, é fundamental ter um Contrato de Trabalho por escrito. Este documento formaliza a relação e detalha as regras, como jornada, salário, funções e acordos específicos (ex: uso de celular, vale-transporte).
- Passo 5: Assinatura da Carteira de Trabalho (CTPS)
O registro deve ser feito na Carteira de Trabalho Digital do empregado. Ao concluir a admissão no eSocial, o registro é automaticamente enviado para a CTPS Digital.
Custos e Tributos da Regularização
A regularização do empregado doméstico implica no recolhimento mensal do Documento de Arrecadação do eSocial (DAE), que unifica todos os tributos devidos. O DAE deve ser pago até o dia 20 de cada mês.
Os tributos que compõem o DAE são:
| Tributo | Percentual | Responsável | Finalidade |
|---|---|---|---|
| INSS Patronal | 8% | Empregador | Contribuição Previdenciária do Empregador |
| INSS do Trabalhador | 7,5% a 14% (progressivo) | Empregada (desconto em folha) | Contribuição Previdenciária da Empregada |
| FGTS | 8% | Empregador | Fundo de Garantia por Tempo de Serviço |
| Seguro Acidente de Trabalho | 0,8% | Empregador | SAT (Seguro contra Acidentes) |
| Reserva Indenizatória (Multa FGTS) | 3,2% | Empregador | Reserva para o caso de demissão sem justa causa |
Total de Encargos do Empregador: 20% sobre o salário do empregado (8% INSS + 8% FGTS + 0,8% GILRAT + 3,2% FGTS Compensatório).
Responsabilidades do Empregador Doméstico na Gestão Mensal
Para manter a regularização do empregado doméstico em dia, é crucial focar na clareza e na precisão dos dados para uma gestão segura e eficiente.
Fechamento da Folha e Emissão do DAE
Mensalmente, o empregador deve:
- Gerar a Folha de Pagamento: Informar no eSocial o salário, horas extras, faltas, adicionais e descontos.
- Encerrar a Folha: Confirmar os dados para que o sistema calcule os tributos.
- Emitir o DAE: Pagar a guia até o dia 20.
Dica: Mantenha um registro de ponto rigoroso. A precisão nos dados de jornada e pagamento (horas extras, adicionais) é um fator crucial na regularidade e gestão da doméstica.
Principais Movimentações Trabalhistas
Qualquer alteração na relação de trabalho deve ser informada no eSocial:
- Férias: O registro deve ser feito com antecedência mínima de 30 dias.
- Afastamentos: Licença-maternidade, auxílio-doença ou acidente de trabalho.
- Alteração Salarial: Reajustes de salário.
- Rescisão Contratual: O processo de desligamento, incluindo o cálculo das verbas rescisórias e a emissão da Guia Rescisória, também é feito pelo eSocial.
A Tranquilidade da Conformidade
A regularização do empregado doméstico é um processo que exige atenção aos detalhes, mas que traz segurança jurídica e tranquilidade para o empregador.
Utilizar o eSocial doméstico passo a passo e manter a gestão mensal em dia, conforme detalhado neste guia, é o caminho mais seguro para cumprir a Lei Complementar nº 150/2015 e evitar multas.
Não deixe a informalidade te colocar em risco. Se você se sente inseguro para realizar o processo de regularização ou a gestão mensal, temos a solução ideal.
Para isso, desenvolvemos o Hora do Lar, um sistema de gerenciamento de empregados domésticos que automatiza e simplifica processos para empregadores. A ferramenta, integrada ao eSocial Doméstico, faz:
- Cálculos de recibos de pagamentos como salário, férias, 13º, horas extras, adicional noturno e rescisão.
- Controle da jornada de trabalho, por meio do aplicativo para registro de ponto para domésticos.
- Emissão de guia DAE e envio de lembretes sobre obrigações mensais e anuais via e-mail e push mobile.
- Geração de documentos, como contrato de trabalho, experiência, acordos e mais.
- Prestação de suporte multicanal via e-mail, chat ou WhatsApp.
Para automatizar processos rotineiros, ganhar tempo e reduzir riscos de ações trabalhistas, conheça nossos planos e cadastre-se agora para começar.
Perguntas Frequentes (FAQ)
O registro no eSocial deve ser feito até um dia antes do início das atividades do empregado. Se o registro for feito após o início, o empregador estará sujeito a multas por registro tardio.
A informalidade acarreta multas administrativas e o risco de ações trabalhistas. O empregador pode ser obrigado a pagar todos os direitos retroativos (INSS, FGTS, 13º, férias) com juros e correção monetária, além de multas por não registro.
O DAE (Documento de Arrecadação do eSocial) é a guia unificada de pagamento mensal. Ele inclui o INSS Patronal (8%), FGTS (8%), Seguro Acidente (0,8%), FGTS Compensatório (3,2%), e o INSS retido do empregado (7,5% a 14%), além do IRRF, se aplicável.
Sim, é possível fazer a regularização retroativa no eSocial. No entanto, o empregador deverá pagar os tributos em atraso (INSS e FGTS) com os devidos acréscimos (multa e juros), além de estar sujeito à multa por não ter feito o registro no prazo legal.
A diarista que trabalha até dois dias por semana na mesma residência não é considerada empregada doméstica e não precisa ser registrada no eSocial. Acima de dois dias, a lei entende que há vínculo empregatício, e a regularização do empregado doméstico é obrigatória.
Referências
[1] Planalto. Lei Complementar nº 150/2015 (PEC das Domésticas).
[2] Portal eSocial. Manual do Empregador Doméstico.
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